O rizoma, como abstração, opõe-se à raiz, posto que se configura a partir da perspectiva de um multidirecionamento, como desdobramento de feixes que se en-trelaçam e multiplicam ao infinito, e não de uma perspectiva unilateral, cujo eixo estaria situado na chamada “origem única”. Em outras palavras, a “identidade-rizoma” não provém de uma raiz fixa e una,mas de dimensões e direções várias. Daí a intenção maior do autor, que, por meio dessa imagem, logra também refutar a[...] concepção sublime e mortal que os povos da Europa e as culturas ocidentais veicularam no mundo; ou seja, toda identidade é uma identidade de raiz única e exclui o outro. Essa visão da identidade se opõe à noção hoje “real”, nas culturas compósitas, da identidade como fator e como resul-tado de uma crioulização, ou seja, da identidade como rizo-ma, da identidade não mais como raiz única mas como raiz indo ao encontro de outras raízes (GLISSANT, 2005: 27).