As descrições metafóricas dessa experiência de alienação existencial em relação aos outros possuem, para falar como Wittgenstein, algumas “semelhanças de família”. A redução ou perda da capacidade de sentir globalmente a própria imersão na realidade, através do corpo e dos sentidos como veículos de ressonâncias afetivas, transparece na referência à dificuldade de “tocar” no mundo e em outras pessoas. O decisivo nessa experiência de “tocar” os outros não é o contato tátil em sentido literal, mas precisamente o senso corpóreo-afetivo de que uma conexão real está sendo estabelecida com alter. Nesse sentido, assim como é possível “alcançar” ou “tocar” os outros sem contato tátil (p.ex., em uma troca de olhares entre pessoas que se amam), o contato físico também pode falhar em provocar uma ressonância corpóreo-afetiva (p.ex., quando o indivíduo em depressão recebe um abraço de sua mãe ou de seu pai, de seu marido ou de sua esposa, mas sente que aquela terrível barreira à conexão com os outros continua ali).