Entre os húngaros progressistas, porém, a ordem é a de não perder a esperança e organizar uma resposta cada vez mais inteligente. Um dos locais de onde brota tal resistência é o Aurora, uma espécie de centro cultural, bar e sede improvisada de entidades de direitos humanos em Budapeste.

A enorme bandeira LGBT na porta é uma declaração de força e, não por acaso, o local já foi alvo de diversos ataques. O último aconteceu em outubro, quando grupos neonazistas queimaram uma bandeira do movimento gay diante do local e picharam as paredes. A polícia? Não apareceu.

Dentro do bar, cartazes com palavras de ordem se misturam a livros em hebraico, vodka, anúncios de campanhas da Anistia Internacional e um apelo: "Ajude seu comitê antifascista local. Não se mude para Berlim".

Ninguém no Aurora ou entre os principais interlocutores da sociedade civil tem dúvidas de que Orban não aceitará tranquilamente uma derrota nas urnas e que, desde já, trabalha para reconquistar as áreas perdidas. Mas, na mente de todos, não há espaço num país repleto de lutas pela democracia para simplesmente aceitar a nova realidade.

Nos últimos anos, Màrta conta que, entre as medidas que tomou, foi a de fortalecer a segurança digital de seu escritório, dar apoio psicológico a seus funcionários e construir alianças. "Essa é uma tempestade longa e, se queremos sobreviver, teremos de ter paredes sólidas", recomendou.

"Não podemos desistir, nem na Hungria e nem no Brasil. Não podemos nos desesperar", completou Màrta.

Just as they are doing with seemingly every obstacle in their way, Hong Kong protesters innovated around the need for a strong leader. They are using communications technology to be both highly organized and leaderless, leaving the authorities unable to take out any key elements that would cause the effort to collapse.

Where a strong leader would make strategic decisions, the protesters are using a Reddit-like forum called LIHKG where ideas can be upvoted, allowing the best ones to rise to the top.

What’s uncanny about this, to me, is how much it echoes a model of distributed action imagined a few years ago by Adam Roberts in a novel called New Model Army — a novel I wrote about here. Roberts imagines a near-future world in which New Model Armies (NMAs) — collectivized and non-hierarchical organizations of mercenaries — have become major players on the European political scene. The novel’s protagonist associates himself with one of those NMAs, called Pantagral. From my post:

The really fascinating and, to the British Army, disturbing thing about Pantagral is its ability to change its shape and extent at will. Its soldiers can form into one enormous mass in order to attack a city – acting for the time much like a traditional army – but then at need dissolve into mist. Soldiers just go away and find shelter somewhere, bunking with friends or in abandoned buildings. They stay in touch with one another and when Pantagral decides to reform, they rise up to strike once more.

In short, they behave like a slime mold, which changes size, splits and combines, according to need, in such a way that it’s hard to say whether the slime mold is one big thing or a bunch of little things. Slime molds and social insects behave with an intelligence that ought to be impossible for such apparently simple organisms, but, as Steven Johnson points out in his fascinating book Emergence, simple organisms obeying simple rules can collectively manifest astonishingly complex behavior.

Compare this to Taber’s account of the Hong Kong protesters:

Another element to the protesters’ resilience was the decision to abandon the occupation strategy used in Occupy Central protests of the Umbrella Movement in exchange for a highly fluid approach. The protesters package and sell this guerilla approach with the phrase “Be Water,” coined by Bruce Lee. With this phrase, the protesters are making a counter-intuitive strategic insight into crisp, elegant, and motivating message. Having arisen from people’s fear of being arrested, the subtext of the phrase is that being strong and effective doesn’t mean standing your ground. It means retreating to fight another day. The reason the Umbrella Movement was not more successful was, in part, its rigidity. Protesters stayed mostly in one place where they could be identified, monitored, and eventually arrested. The protesters saw that a fluid approach, where swift retreat from momentary danger is not seen as cowardice, would be a stronger one under Hong Kong’s undemocratic conditions. This insight, which the protesters are putting to great practical use, is the legacy of ancient Chinese philosophy for governance and military strategy. Lao Tsu said, “Nothing is softer or more yielding than water. Yet, given time, it can erode even the hardest stone. That’s how the weak can defeat the strong, and the supple can win out over the stiff.”

A subjetividade do neossujeito é, podemos dizer, uma subjetividade construída no reagir e responder às demandas do mundo e não na constituição de si, seguida da transformação de si e do mundo. Uma subjetividade que em termos lacanianos (psicanalista francês, Jacques Lacan) não opera no mundo conforme o desejo individual, mas adapta o próprio desejo de forma tão incisiva que pode nem mesmo chegar a conhecer o próprio desejo.

Uma subjetividade que em termos winnicottianos (nos referimos a Donald Woods Winnicott, psicanalista inglês contemporâneo de Lacan) não se constrói para culminar num ser integrado e estruturado para a autenticidade, não chega a SER. O mal-ser é o eu que não chega mesmo a constituir-se e já desde cedo responde ao mal-estar social. A subjetividade moderna, entendo, se relaciona mais ao winnicottiano mal-ser, do que ao freudiano conhecido mal-estar.

O sujeito reage ao mundo cada vez mais cedo. E cada vez mais cedo as crianças deixam a infância suja de areia para a infância do tempo controlado por mil e uma atividades que estimulam a cognição, mas não contribuem para a elaboração e da constituição saudável do lúdico, do brincar, da criatividade, em suma, da psique. E é na adolescência que explodem as consequências do mal-ser infantil. O jovem é a representação da sociedade do desamparo. Frágil psiquicamente, impossibilitado de ser quem é, muitas vezes não chega mesmo a constituir-se no que é. Impossibilitado de recorrer a alguém para exteriorizar a angústia, já que o sujeito neoliberal não chora, apenas sorri, o jovem se vê quase obrigado a engolir sua tristeza ou a marcar o que não conhece na forma da imagem da própria pele cortada, mutilada. O sangue e a dor física tornam real a dor psíquica que não foram ensinados a lidar, não aprenderam a nomear.

O dano da fantasia de realização para a saúde mental é difícil de ser mensurado. Mas sem dúvida, uma sociedade que constitui subjetividades para a disputa pelo melhor sorriso e não abre espaço para a exteriorização do choro vai produzir sujeitos cada vez mais iletrados para o sofrimento. E quando se proíbe a expressão das emoções menos desejadas (como a tristeza, o medo e a angústia) se proíbe por consequência a aprendizagem, a capacidade para lidar com elas. A questão é que essas emoções não deixarão de existir mesmo que o sujeito moderno perca a capacidade para crítica em função do imperativo do gozo. Se há algo desobediente, esse algo é a tristeza. A construção de espaços para as angústias nesse contexto, é a construção de espaços para a reconstrução do coletivo, para a capacitação para a crítica e para posicionamentos no mundo que nos possibilitem nos enxergar em nós e no outro, sem precisar recorrer ao grito, ou aos extremos.

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