Por vezes me julgo uma pessoa sensata — sentimento esse comum a todo ser humano pensante, imagino. Até que me vejo desmascarado, discutindo sem qualquer base e agressivamente o que caracteriza um tsunami com pessoas queridas, mas que também estão fora do tom e não têm a menor ideia do que estão falando. “São ondas gigantes”. “É a amplitude da onda”. Pega o celular, pesquisa. “Na verdade, é o comprimento da onda”. “É um terremoto no mar”.

Viver isolado dá a falsa sensação de se estar por cima, de conseguir ver problemas óbvios que só são óbvios porque os vejo de fora, tanto que quando adentro ao caos eles se tornam inescapáveis mesmo a mim, a pessoa supostamente sensata. Poderia ter me furtado de discutir a natureza dos tsunamis, ou discutido como se aquilo não parecesse uma questão de vida ou morte, mas não o fiz. Por quê? Não sei.

O próximo livro que quero ler é aquele “Comunicação não-violenta”. Espero descobrir nele a resposta, esperança esta também embasada fragilmente em comentários esparsos de gente aleatória que já leu o livro e deixou reviews positivos na Amazon e em uma vaga ideia de que a chave para solucionar esse problema específico (discussões desnecessárias e agressivas, não a definição de um tsunami) está na comunicação não-violenta, seja lá o que isso for. Convenhamos: é um título que promete muito, só de ler já bate uma paz, uma vontade de abraçar todo mundo e, sei lá, fazer um sarau.

Talvez a gente devesse discutir menos.

I resisted the term Anthropocene because it centered the Anthropos — Man — as if the multiple crises and destructions that merit the term Anthropocene were a species act, as if we did it by virtue of being human, as opposed to being in situated historical processes rooted in systems of a world-changing operation four or five hundred years ago, with the invention of the slave-based plantation and the emergence of capitalism. The creation of wealth through these systems has brought us into our current situation. I don’t think it’s a species act.

So you’ve coined a new word, the “Plantationocene.”

I threw out that word in a conversation with Anna Tsing and others in Denmark precisely because we wanted to foreground the world-changing importance of our relations to plants. In formulating the Plantationocene, we needed also to pay more attention to the work of mainly Black scholars on plantation slavery and its ongoing consequences, such as Katherine McKittrick, Sylvia Wynter, and Dianne Glave. The Anthropocene refuses to name the political and economic apparatus that drives the practices that are so destructive, and it treats the dilemma we’re in as if it’s our own natural evolutionary trajectory. That’s simply not true. We act that way in historical conjunctures and systems that can be changed. It’s not human nature that’s the issue, but a situated historical metabolism with the planet in conditions that nurture extraction and extermination. Not all people have lived on the Earth that way, and it doesn’t have to be that way. It can still change.