Grohmann: Eu não acredito no que eu chamo de ideologia da Vanessa da Mata, ‘as coisas não têm mais jeito’, ‘acabou’, ‘boa sorte’. Não existe trabalhador inorganizável. Não é porque estão em condições plataformizadas ou que nós estamos há muito tempo em condições individualizadas de trabalho que as pessoas não são organizáveis. Como você falou, existe um limite. Tem acontecido em todas essas categorias, desde as plataformas de microtrabalho até as plataformas de localização específica, um processo de reconhecimento dos trabalhadores como trabalhadores. O que é super engraçado, porque, há quase 10 anos, a gente fez uma pesquisa sobre jornalistas em São Paulo e eles não se reconheciam como classe trabalhadora. Isso tem se transformado em vários estratos das classes que precisam do trabalho, para usar uma expressão do Ricardo Antunes. Se a sua renda depende da própria força de trabalho, você é um trabalhador, seja você ganhando R$ 20 mil, seja você ganhando um salário mínimo. Isso tem gerado uma nova onda de organização coletiva dos trabalhadores.

Eu vou dar agora uma série de exemplos. Desde, digamos assim, a camada média alta de trabalhadores do Vale do Silício que estão tentando criar um sindicato, tem o Tech Workers Coalition, que é dos trabalhadores da área de tecnologia. Aqui no Brasil, você tem o Infoproletários, que são trabalhadores de TI em luta. Você vê um movimento acontecendo tanto no norte, quanto no sul. Já há organização coletiva de trabalhadores de Uber. Aqui no Brasil, já tem associações na Bahia, em Pernambuco, tem uma em São Paulo já filiada à CUT. A partir do debate na Inglaterra, tem hoje uma organização coletiva dos trabalhadores da indústria do videogame, que também naturalizavam áreas de trabalho como se fossem um jogo. Hoje tem o Game Workers United em 10 países, trabalhadores se movimentando. Inclusive, no Brasil e na Argentina, tem capítulos desse Game Workers United. Você tem, na Alemanha, um sindicato de youtubers vinculado ao maior sindicato metalúrgico alemão, que é o IG Metall, em que os youtubers reivindicam da plataforma maior transparência algorítmica e resultados mais transparentes em relação à desmonetização dos youtubers. E une youtubers de esquerda e direita. Até se coloca nesse debate o quanto que essa luta e essa organização não é necessariamente a mesma luta entre capital e trabalho dos anos 1980.

Quando você tem novos mecanismos de controle, isso exige novas maneiras de organização dos trabalhadores, não repetição das mesmas. Por exemplo, um dos debates que se tem levantado é que não dá para você confrontar Uber, Youtube ou a indústria de games de uma maneira somente local. A luta dos trabalhadores é uma organização de baixo para cima, mas tem que ser uma luta internacional. O grande dilema é que essas plataformas são globais. Tem rolado uma nova onda de sindicalização, e aí é sindicalização mesmo, de jornalistas, desde Buzzfeed, Vox, Vice, entre outras, e a partir de plataformas digitais. ‘Nós não fazemos só memes, nós também somos trabalhadores’. Ou seja, acho que já estamos, senão perto, nesse ponto de virada em que as pessoas já estão cansadas e buscando mecanismos de organização. A própria Amazon Mechanical Turks tem no Turker Nation uma maneira de organização do trabalho. Uma coisa que é importante dizer é que muitas dessas maneiras de organização dos trabalhadores de plataforma é também por vias digitais. Desde grupos do WhatsApp e Facebook, até uma plataforma chamada Discord. É muito interessante que é uma plataforma para games. Como ela tem uma interface muito amigável, essa plataforma é usada para organizar os trabalhadores, marcar reuniões, discutir questões, então vira uma plataforma realmente de debate e organização dos trabalhadores. É algo que alguns autores têm falado de usar a gamificação a favor dos trabalhadores, uma gamificação vinda de baixo. Nesse cenário do trabalho digital, eu não vejo como algo inevitável.

What Fraas attempted to demonstrate was that the environment and the natural conditions of production were undermined by human civilization and especially by agriculture. He condemned deforestation because “in a region which possesses a very acid and sandy soil, or furthermore even calcareous soil, deforestation counts as the most powerful cause of creating heat” (622). He researched plant growth in ancient Greece and Rome and concluded that climate change was linked to cultivation and deforestation and that the latter have led historically to the creation of deserts and collapses of civilizations.

Fraas wrote in Klima und Pflanzenwelt that “humans change the world of nature, on which they depend, in so many ways and to a much greater extent than is commonly realized. In fact, humans are able to change nature to such an extent that it is later completely unable to provide what is needed … There is no hope of changing this.” (Fraas, 1842, 59)

Marx was very impressed by Fraas and wrote to Engels on 25 March 1868 that Fraas’s book was “very interesting, especially as proving that climate and flora have changed in historic times. […] The whole conclusion is that cultivation when it progresses in a primitive way and is not consciously controlled (as a bourgeois of course he does not arrive at this), leaves deserts behind it… ” (Marx and Engels, 1988, 558).

Marx’s solution, of course, was neither reliance on scientific solutions nor pessimism about the future but rather an end to the capitalist system and a socialist society in which “ the associated producers govern the human metabolism with nature in a rational way, bringing it under their collective control…accomplishing it with the least expenditure of energy and in conditions most worthy and appropriate for their human nature” (Marx, 1991, 959).